Narrativa,

“Cuando habló la sphinge” (remix de la obra de Rodolfo Benavides, “Cuando las piedras hablan los hombres tiemblan”)

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Esto aconteció hace miles de años antes de las Sagradas Escrituras.

— ¡Oh, Anat! ¡Oh, Anshar!  ¡Salvadores y guardianes de mi vida pasada, presente y venidera! Así imploraba aquel peregrino del desierto con el rostro hacia el cielo para luego bajarlo hasta colocar su frente contra la sedienta arena a la sombra de la descomunal cabeza de la Gran Esfinge.

—¡Hermes, protégenos de todo mal! ¡Perdona nuestras ofensas!

Así clamaban antiguas voces similar a un coro de todas las eras, y que parecían salir de la ardiente arena.

—¡Excelso dios del Infinito, dador de la vida, gran dios del Desierto, del Valle del Nilo y de la Eternidad!

Mientras, los hombres, con las harapientas, raídas y gastadas ropas que alguna vez fueron blancas como sus ánimas, deambulan lentos por sus caminos al lado de sus camellos resignados y azotados duramente por los áridos vientos del desierto.

La Gran Esfinge, impávida, serena, los ve alejarse y, suspirando, confiesa bajo el ardiente sol:

—¡Yo, la reina de estas regiones, fui la primera en revelar a los hombres el misterio de la vida escondido en el maíz, en el trigo, y en el fuego antes que el titán Prometo se lo cediera al hombre! Lo conocí cuando desafió a Zeus, y lamenté la eterna condena a la que fue sentenciado. ¡Yo, que inspiré a la Vida, desde siempre, he visto desafiar a la Muerte con arrogancia e ignorancia!

Sí, he de confesar que vi, escuché y sentí el tacto de millares de gente sufriente. ¡Fueron (y son, y serán), tantos, desde la aurora de la Humanidad…! Así es, porque en mí están grabadas sobre mis piedras la Historia, las Religiones y la Poesía de hombres de supremo pensamiento, que, lamentable y paradójicamente, son hoy ánimas ignoradas. Sin embargo, quedó en mis vidas el recuerdo, y en mí renació las diversas culturas desaparecidas mucho antes de comenzar tu Sabiduría. ¡Oh tú, Siracides, el Sabio! ¡Tú, que me escuchas en estos tiempos oscuros que no acabarán! Mi vista se pierde en la distancia inmensa, hacia la Constelación de Taurus, entre el polvo de los siglos, de las edades, de los milenios, de los cataclismos y en el vibrar del sol candente sobre el gran desierto que fue oasis.

He visto a tantos hombres dolidos, hambrientos de comida y de saber pasar cabizbajos frente a mí, llevando su miseria, rogando plegarias a sus dioses protección y guía.

Y también he visto caminar a los profetas de largos cabellos, poetas de dulces palabras como la miel, hombres con pensamientos profundos igual al eterno Cielo, gente de verdades del Cielo y la Tierra. También he visto andar a millares de guerreros, con estandartes de humo ensangrentado, criaturas arrogantes que jamás elevaron más que tormentas oscuras de polvo y sangre en las que escondieron su vergüenza, su vileza, su maldad…

Hombres, si así se les puede llamar, sin alma ni espíritu, con un corazón motivado por ilusoria grandeza; hombres cargados iguales a bestias famélicas de carne. Sí, frente a mí han pasado atlantes, sumerios, babilonios, hebreos, e intrépidos griegos y ya no sé ni cuántas eximias y avasallantes culturas, razas y héroes. Muchos reyes y vasallos buscando el camino que los condujo siempre hacia espejismos.

Atiéndeme, Siracides de Egipto, ya desde mucho antes de Troya se afirmaba que el hombre temía al Tiempo, pero es el Tiempo quien le teme a las pirámides y a la Esfinge. Y el Tiempo nos teme porque somos y seremos libros abiertos para aquellos elegidos que nos sepan leer e interpretar; en nuestras páginas de piedra de luz está lo que Este hizo de las  humanidades que desaparecieron junto con sus deidades, vanidades y quimeras.

Y llegando a nuevos tiempos (me resulta complejo a veces calcularlo…),  deambularon a tientas gematryas, astrónomos y hermeneutas, matemáticos y teólogos, y  otros hombres y mujeres sabios cuyas mentes se hicieron sombrías contra la roca porque desentendieron a sus propios espíritus y como consecuencias de la confusio linguarum de Babel.

— ¡Ay de ti, peregrino que pisas las arenas que fueron vergeles! He aquí parte de esta historia del Egipto, que nació muchísimo después de que antiguas, desconocidas manos me esculpieron en la viva roca pangeana de este sacro sitio, para servir, sacrificar y fortalecer (así lo vio Ezequiel en su epifanía), como referencia a las edades pasadas que retornarán, y como testigo para tu actualidad la cual está ya paulatinamente desapareciendo. ¡Ayer, una catástrofe caída del cielo…! Y Mañana…, ¿cómo llamar a ese fragmento del Tiempo? ¡Oh, tú, quien escribió el libro Eclesiástico, tú que me escuchas atento y callado!, ¡endereza ahora, ya, tus caminadas porque tu porvenir se cumplió!

— ¡Ay de ti, trashumante del hoy por el desierto, y mañana, quizás, por nuestro cielo! Tú, que me has solicitado fresca sombra y que me ruegas protección, debes saber que durante milenios he sentido el azote de los calientes vientos, los cuales refracté hacia el Mare Nostrum, invadiendo a fenicios y griegos, a cretenses y romanos, como mis adivinanzas…

Eu te avisarei algo, caminhante: Deixa de lado o sacrilégio de te levar alguma pedra da minha figura porque são sinais que em algum momento do que vocês chamam de história serão imprescindíveis para ler a única verdade que tantos gostariam de conhecer. Antes de você houve um homem que pretendeu desafiar o seu destino, nossos caminhos se cruzaram e eu lhe propus um enigma. Ele resolveu e quase morri embora eu seja eterna. Cumpri a minha palavra tornand rei, mas sua queda foi tão dura que tirou os olhos. Para que haveria de tê-los se não olhasse para a sua condição? Tiresias disse-lhe, e o rei denegriu-o. Assim são todos os homens: arrogantes e cegas criaturas que vagueiam entre os seus próprios labirintos!

Foi durante os tempos em que o homem adorou deuses de pedra e bronze, embora não eram nem mudos nem cegos. No entanto, muitos chamaram idolatria, blasfêmia e superstição a essa reverência, eles se creram superiores, portadores de uma verdade a meias, e mataram em nome de seu Deus.

Pretenderam diferenciar-se; mas eu te direi, siracides, que tu escreveste em nome desse Deus, que se nós feitos de antigas pedras sobrevivemos, eu te dou a certeza que os deuses humanizados têm perduraram menos já que os vi nascer e morrer pelos milênios de Os milênios.

— ai, de você, que parou diante de mim, rastreando pegadas e efêmeras verdades para saber o motivo pelo qual você veio para esta vida! Você ouviu e atendeu a minha mensagem nascido de um tempo em que os homens não tinham sido criados, eram entelequias nas mentes dos universos.

— ó tu, siracides, o sábio! Você, que me escuta nestes tempos escuros que não acabarão! A minha vista perde-se na distância imensa, entre o pó dos séculos, das idades, dos milênios, dos cataclismos e no vibrar me atende, siracides do Egito, acho que você ouviu, trazidos pelos ventos, pelas vozes e o Canto, os choros gravados de mulheres, crianças e homens que clamaram justiça em vão… na sua dor pela passagem desta vida, deixaram templos do passado e templos do futuro, símbolos abstrusos, ichthys, constelações…

Já anoitece, certamente te assustará observar a minha silhueta entre as sombras debaixo de um céu estrelado; você pode se aposentar. Aguardarei até amanhã quando o novo sol iluminar meu rosto perpétuo. Então, se for a tua vontade, continuaremos a falar, – embora seja eu quem fala -, e me place continuar a discorrendo contigo, siracides.

Lembre-se que vou continuar aqui como eterno testemunha para continuar vendo os homens e as eras até a eternidade, e até quando chegar o dia em que todos seremos pó de estrelas (essa é a nossa origem). Enquanto chega esse instante, aqui estarei para

Te ajudar se precisar de mim.

Reitero: Não existe para mim o tempo. No entanto, para ti sim, porque a partir do momento do teu nascimento já começou a tua morte. Por esse motivo o seu tempo não é para desperdiçá-lo. Eu, a sphinge, tenho o poder de continuar vendo decorrer os tempos nefastos esperando com serenidade e temperança até que venham outros louváveis. Não está na sua natureza fazer o mesmo porque suas pegadas estão contadas desde muito antes de você ser pensado pelos seus pais. A luz e o ardor desta landa amada te estimulam e entusiasmam, te seduzem e inspiram.

Virão gelados dias desde a penumbra e desde o ranço silêncio do interior de museus, laboratórios e bibliotecas que guardam fragmentos do eterno, bem como no

Combinações por terrenos vedados para os infiéis, no futuro de opiniões e palpite necias, vis, ofensivas próprias da condição humana. Para quando tudo isso acontecer, você deve resistir porque eu escolhi você, e você vai precisar como nunca as

Forças e a calma da tua sabedoria ainda mais na tua alma do que no teu passageiro corpo.

Assim falou aquela pedra mãe da esfinge, e de repente abriu-se um caminho longo e bifurcado que leva ao infinito sobre o chão onde as suas garras repousam. E diante da magnitude e profundidade do ignorado, o entusiasmo foi se transformando em medo do desconhecido. A alma começou a tremer, muito mais do que o corpo pudesse fazer.

Foi nesse momento de silêncio denso, ao começar a noite, quando o mistério cobriu aquela terra de faraós e escreva, de padres e navegantes do mar e do firmamento. Depois, através de sucessões de renovados primórdios, começaram a decorrer, pausadas, as realidades objetivas, complexas de apreender, como se chegassem de umas dimensões que nos recusamos aceitar, muito apesar de vivemos em alguma delas.

E assim, como a estátua afirmou, aconteceram-se nos anos seguintes. As investigações foram realizadas no Rio Nilo, o qual supõe que deveria ter sido o princípio dos princípios da cultura do Egito.

Tradução Natalia Diegues.


Federico Rivero Scarani (Montevideo, República Oriental del Uruguay, 1974). Docente de Literatura egresado del Instituto de Profesores Artigas. Colaboró en diversos medios en Uruguay como El Diario de la noche, Relaciones, Graffiti, y también en revistas internacionales como Archivos del Sur (Argentina) y Banda Hispânica.com (Brasil), Carruaje de Pájaros (México), InComunidade (Portugal), Resonancias (Francia), entre otras. Publicó un ensayo sobre el poeta uruguayo Julio Inverso El lado gótico de la poesía de Julio Inverso,  editado por los Anales de la Literatura Hispanoamericana de la Universidad Complutense de Madrid, España. Participó en antologías de poetas uruguayos y colombianos, El amplio jardín, 2004; y Poetas uruguayos y cubanos, El manto de mi virtud, 2011. Mención Honorífica por el trabajo Un estudio estilístico de Poeta en Nueva York de Federico García Lorca, 2014, Organizado por el Instituto de Estudios Iberoamericano de Andalusíes y la Universidad de La Plata (Argentina). Accécit 18º Concurso José M. Valverde, 2014. Fue docente de la cátedra de Lenguaje y Comunicación, en el Instituto de Profesores Artigas. Miembro de REMES (Red Mundial de Escritores en Español), y del sitio autores.uy. Promocionado por la Biblioteca Nacional, Ministerio de Cultura del Uruguay y Biblioteca del Poder Legislativo.

Colabora con artículos, ensayos, traducciones y poemas en diversas revistas internacionales de Latinoamérica y Europa.